SAÚDE-DA-MULHER (QUANDO-A-CEGONHA)


Quando a cegonha não vem

A incidência de problemas de saúde que comprometem a fertilidade de um casal varia de acordo com a idade. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que 1 em cada 15 mulheres com idade entre 20 e 30 anos tem dificuldade de engravidar. Nos casais em que a mulher tem entre 30 e 40 anos, sobe para 1 em cada 8 mulheres. Depois dos 40, 1 entre 4 casais não consegue ter filhos sem a ajuda de tratamentos ou métodos de fertilização.

Os especialistas em reprodução assistida costumam ser pouco pacientes com o tempo de tentativas frustradas na hora de indicar a investigação de um casal. "Um ano de tentativas frustradas indica que o casal pode ter algum problema. Se a mulher tiver mais de 30 anos, aconselho a buscar ajuda depois de oito meses de tentativas sem sucesso", diz Vicente Mário Izzo, do setor de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas.

Segundo ele, o processo que investiga as causas pode durar até um ano e é melhor que a mulher conte com um tempo para conseguir conceber sem a pressão da idade. "Os casais estão adiando a chegada dos filhos e, infelizmente, o organismo feminino não respeita o mesmo relógio. Depois dos 35 anos, mesmo com a ajuda da fertilização, é mais difícil uma mulher engravidar", afirma Izzo.

Agnaldo Cedenho, coordenador do setor de Reprodução Humana da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ressalta a importância de fazer um diagnóstico do casal nos casos de suspeita de infertilidade. "Dessa forma você alivia a imensa culpa da mulher, que ainda é muito sacrificada nesses processos", explica ele. Mesmo quando o problema é do marido, diz Cedenho, porque é ela que terá de se submeter aos tratamentos.

Homens e mulheres empatam no ranking de problemas de fertilidade que atingem os casais, ambos com 30% dos casos. Em 40%, o problema é de compatibilidade dos dois.

A investigação inclui um espermograma do marido (geralmente são pedidas pelo menos duas coletas), avaliações de útero, ovários, trompas e um perfil hormonal da mulher (obtidos com ultra-sonografias, exames de sangue e raios X). De posse do diagnóstico, o médico define o tratamento.

"Cada caso de infertilidade terá um método mais indicado, e o especialista tenderá sempre a buscar o que seja menos agressivo para o casal", explica Cedenho.

Sempre que possível, os médicos recorrem aos métodos de fertilização "in vivo", que têm custo mais baixo e são menos agressivos para a mulher. "As vezes, um remédio que estimule a ovulação da mulher é suficiente para a fertilização", explica Cedenho. Quando a mulher tem as trompas inutilizadas ou quando o sêmen do marido é de baixa qualidade (número de espermatozóides muito baixo), entra em cena a fertilização "in vitro".

Tratamentos de reprodução assistida são dispendiosos. O preço da consulta de um especialista pode variar entre R$ 400 e R$ 1.000. O conjunto de exames investigativos custa em média R$ 2.000 e não costuma ser coberto por planos de saúde. Os hormônios usados para preparar o organismo feminino para uma fertilização não saem por menos de R$ 2.000. Se a fertilização "in vitro" for aconselhada, o casal gastará pelo menos R$ 5.000 (fora medicamentos) por tentativa, com o agravante de nem sempre obter sucesso da primeira vez. Em clínicas particulares, esse valor pode subir para R$ 10 mil.

Agnaldo Cedenho coordena um programa da Universidade Federal de São Paulo que não cobra nada por uma parte do processo de fertilização. "O casal terá de arcar com a medicação e alguns exames, mas as consultas são gratuitas", afirma. O programa funciona há sete anos e atende a uma média de 30 casais por mês. Dos 200 casais que tentaram engravidar no programa da Unifesp este ano, 50% obtiveram sucesso após até duas tentativas. As triagens costumam ser feitas a cada dois meses e para ser escolhido basta se inscrever. (CC)

serviço Programa de Reprodução Humana Unifesp: R. Botucatu, 725, tel. 5576-4488.

Chances de engravidar com fertilização 'in vitro' em um ano de tentativas

ATÉ 25 anos - 70%
DE 26 A 29 - 60%
DE 30 A 35 - 40%
DE 36 A 39 - 20%
DE 40 A 41 - 10%
ACIMA de 41 - muito difÍCIL

Fonte: Organização Mundial da Saúde


Principais técnicas de fertilização assistida

Inseminação intra-uterina (IUU) Um dos métodos de fertilização "in vivo" mais simples e menos dispendiosos, consiste na introdução do espermatozóide no útero com a ajuda de um cateter. Antes do processo, a mulher toma uma medicação para aumentar a produção de óvulos sadios

Transferência intratubária de gametas (Gift) Método de fertilização "in vivo". Depois de coletados, óvulo e espermatozóides são colocados por laparoscopia em uma das trompas da mulher, local onde normalmente ocorre a formação do embrião. A fecundação acontece de forma natural e, também naturalmente, o embrião passa para o útero

Fertilização "in vitro" tradicional Ocorre fora do corpo feminino (daí o nome "in vitro"). Tanto a mulher como o homem recebem tratamento: ela, para aumentar a produção de óvulos; ele, para escolha dos espermatozóides mais capacitados. Para que a fecundação ocorra, óvulos e espermatozóides são colocados na mesma estufa, e os embriões ali formados são transferidos para o útero feminino após cerca de três dias

Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) Considerado um dos grandes avanços recentes, coloca um único espermatozóide dentro do óvulo com a ajuda de uma micropipeta. O embrião fecundado é transferido para o útero três a seis dias depois. Esse método é muito usado quando a qualidade do espermatozóide do parceiro é baixa



FONTE: folha on-line


bjkcas


cris
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